Justiça amplia bloqueio de bens de extremistas para R$ 18,5 mi
- 21/01/2023
- 0 Comentário(s)
A 8ª Vara Federal de Brasília aumentou para R$ 18,5 milhões o bloqueio de bens dos extremistas envolvidos nos atos do 8 de Janeiro. A decisão é do juiz Francisco Alexandre Ribeiro e atende a um pedido feito pela AGU (Advocacia-geral da União).
“Tendo em vista os novos levantamentos efetuados pela Câmara dos Deputados (reduzindo a estimativa inicial), pela Presidência da República e pelo Supremo Tribunal Federal, esse 2 últimos até então inéditos, dada a compreensível indeterminação dos prejuízos sofridos, ainda em apuração, impõe-se o seu deferimento [pedido protocolado pela AGU]”, diz trecho da decisão. Eis a íntegra (220 KB).
Antes, o valor bloqueado era de R$ 6,5 milhões em bens de 52 pessoas e 7 empresas suspeitas de financiar o fretamento de ônibus que levou os responsáveis por depredações na Praça dos Três Poderes.
O aumento solicitado pela AGU considera relatórios que estimam danos de R$ 7,9 milhões ao Palácio do Planalto, e de R$ 5,9 ao edifício do STF (Supremo Tribunal Federal).
O montante também considera cálculos feitos pela Diretoria-Geral da Câmara dos Deputados, que estima danos de R$ 1,1 milhão, sem considerar a restauração das obras de arte depredadas.
Invasão aos Três Poderes
Por volta das 15h de domingo (8.jan.2023), extremistas de direita invadiram o Congresso Nacional depois de romper barreiras de proteção colocadas pelas forças de segurança do Distrito Federal e da Força Nacional. Lá, invadiram o Salão Verde da Câmara dos Deputados, área que dá acesso ao plenário da Casa. Equipamentos de votação no plenário foram vandalizados. Os extremistas também usaram o tapete do Senado de “escorregador”.
- Veja a depredação dentro do Congresso Nacional;
- Veja a depredação dentro do Palácio do Planalto;
- Veja a depredação dentro do Supremo Tribunal Federal.
Em seguida, os radicais se dirigiram ao Palácio do Planalto e depredaram diversas salas na sede do Poder Executivo. Por fim, invadiram o STF (Supremo Tribunal Federal). Quebraram vidros da fachada e chegaram até o plenário da Corte, onde arrancaram cadeiras do chão e o Brasão da República –que era fixado à parede do plenário da Corte. Os radicais também picharam a estátua “A Justiça”, feita por Alfredo Ceschiatti em 1961, e a porta do gabinete do ministro Alexandre de Moraes.
Os atos foram realizados por pessoas em sua maioria vestidas com camisetas da seleção brasileira de futebol, roupas nas cores da bandeira do Brasil e, às vezes, com a própria bandeira nas costas. Diziam-se patriotas e defendiam uma intervenção militar (na prática, um golpe de Estado) para derrubar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Antes da invasão
A organização do movimento havia sido monitorada previamente pelo governo federal, que determinara o uso da Força Nacional na região. Pela manhã de domingo (8.jan), 3 ônibus de agentes de segurança estavam mobilizados na Esplanada. Mas não foram suficientes para conter a invasão dos radicais na sede do Legislativo.
Durante o final de semana, dezenas de ônibus e centenas de carros e pessoas chegaram à capital federal para a manifestação. Inicialmente, o grupo se concentrou na sede do Quartel-General do Exército, a 7,9 km da Praça dos Três Poderes.
Depois, os radicais desceram o Eixo Monumental até a Esplanada dos Ministérios a pé, escoltados pela Polícia Militar do Distrito Federal.
O acesso das avenidas foi bloqueado para veículos. Mas não houve impedimento para quem passasse caminhando.
Durante o domingo (8.jan), policiais realizaram revistas em pedestres que queriam ir para a Esplanada. Cada ponto de acesso tinha uma dupla de policiais militares para fazer as revistas de bolsas e mochilas. O foco era identificar objetos cortantes, como vidros e facas.
Contra Lula
Desde o resultado das eleições, extremistas de direita acamparam em frente a quartéis em diferentes Estados brasileiros. Eles também realizaram protestos em rodovias federais e, depois da diplomação de Lula, promoveram atos violentos no centro de Brasília. Além disso, a polícia achou materiais explosivos em 2 locais da capital federal.
Linha do tempo da invasão
SÁBADO PRÉ-INVASÃO (7.JAN)
- a chegada dos extremistas – ao menos 80 ônibus com apoiadores de Bolsonaro chegam a Brasília. Eles se concentram em frente ao QG do Exército, onde estão acampados os manifestantes que contestam o resultado das eleições;
- interdição da Esplanada – é interditada para carros e pessoas. Segundo o ministro da Justiça Flávio Dino, Ibaneis decide liberar a via para pedestres, não atendendo a pedidos de Dino para que ela permanecesse fechada;
- acampamento em Belo Horizonte – o ministro do STF Alexandre de Moraes emite decisão determinando a desobstrução de acampamento em frente ao QG do Exército na cidade;
- Força Nacional (19h) – Dino emite portaria autorizando o uso da Força Nacional na Esplanada dos Ministérios em Brasília até 2ª feira (9.jan).
DOMINGO (8.JAN)
- tensão de manhã – Brasília amanhece sob tensão entre os radicais acampados e a chegada da Força Nacional. Às 7h36, Dino publica no perfil do Twitter que espera não haver atos violentos e que não seja necessário a polícia atuar. O acampamento em frente ao QG do Exército conta com mais pessoas. É divulgado, pela manhã, que os manifestantes caminharão até o Palácio do Planalto. Extremistas também convocam para o ato em frente ao Congresso;
- Múcio do acampamento – ministro da Defesa vai ao acampamento pela manhã e diz que o clima é “por enquanto, calmo”;
- marcha ao Planalto (13h) – acampados começam a sair do QG do Exército em direção à Esplanada. Um policial militar elogia a manifestação e diz que vai “escoltá-los” para garantir a segurança dos que marcham;
- concentração (13h) – o Poder360 consta cerca de 100 pessoas concentradas em frente ao Congresso, que são só revistadas. Esperam o grupo maior e pessoas que caminham do QG do Exército em direção ao local;
- bloqueio é furado (15h) – extremistas rompem a barreira de proteção policial;
- invasão do Congresso (15h10) – radicais de direita invadem o Congresso e começam a depredá-lo;
- Flávio Bolsonaro tenta se distanciar (15h24) – o senador (PL-RJ) envia mensagem a um grupo de colegas da Casa Alta tentando afastar a responsabilidade de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), dos atos;
- bombas de gás (15h30) – com um efetivo reduzido, a PM-DF tenta conter os manifestantes com bombas;
- Dino se manifesta (15h43) – ministro da Justiça classifica invasão como absurda e diz que o governo do Distrito Federal prometeu reforços;
- invasão do Planalto (15h50) – extremistas avançam e invadem o Palácio do Planalto, dando início à depredação e à destruição de obras de arte e outros objetos;
-
- invasão do STF (15h50 às 16h) – praticamente ao mesmo tempo, os extremistas entram e vandalizam o Supremo Tribunal Federal;
- Força Nacional chega à Esplanada (16h25) – convocada no dia anterior pelo ministro da Justiça, a força chega quando as sedes dos Três Poderes já haviam sido invadidas;
- Aras pede investigação (16h25) – o procurador-geral da República pede que a Procuradoria da República do Distrito Federal abra investigação criminal;
- demissão de Anderson Torres (17h08) – o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), demite o secretário de Segurança Pública, que está nos Estados Unidos;
- Lula decreta intervenção (17h50) – o presidente, que está em Araraquara (SP) para verificar estragos das chuvas, anuncia intervenção federal na segurança pública de Brasília e diz que todos serão punidos . Lula responsabiliza Bolsonaro pelos atos;
- Valdemar: “Não representa Bolsonaro” (18h) – o presidente do PL divulga um vídeo à imprensa dizendo que os atos não representam o partido;
- fogo no gramado (18h20) – extremistas trabalharam fogo no gramado do Congresso Nacional;
- prisão de extremistas (18h20) – a polícia do Distrito Federal começa a retomar prédios públicos e prender radicais de direita;
- AGU pede prisão de Torres (18h30) – a Advocacia Geral da União pede ao STF a prisão em flagrante do ex-secretário da Segurança Pública do Distrito Federal;
- Ibaneis pede desculpas (19h) – governador do Distrito Federal (MDB) pede desculpas a Lula, Rosa Weber, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco;
- interventor vai à Esplanada (20h15) – Ricardo Capelli, nomeado para ser interventor da segurança do Distrito Federal, vai à Esplanada depois das invasões;
- depois das 6h, Bolsonaro condena invasão (21h17) – o ex-presidente posta nota em seu perfil do Twitter em que compara os atos com manifestações de esquerda. Diz que repudiava de Lula sobre ter responsabilidade nos atos;
- PF instala gabinete de crise (21h40) – força cria grupo para coordenar ações e identificar os autores de crimes na invasão;
- Lula visitou Planalto e STF (22h) – o presidente está acompanhado dos ministros Roberto Barroso, Rosa Weber e Dias Toffoli.










